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quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Histórias de amor e mulheres alteradas 

Aos Domingos, a revista Pública marca a diferença, ao oferecer, nas suas últimas páginas, os cartoons da Maitena e do Miguel. A mulher tem neste espaço um espelho de si mesma, tenha ela a personalidade que tiver. A única característica indispensável para que as mulheres se identifiquem com o que lêem, é viver no planeta Terra.

Ao contrário do que acontece na maioria dos jornais ou revistas no nosso país, em que os cartoons são uma crítica humorística à sociedade ou, invariavelmente, ao futebol, o cartoon da Maitena caricatura situações do quotidiano da mulher, tentando mostrar o mundo de contradições em que esta parece viver.
A rubrica “Mulheres alteradas” conta-nos os dramas que a mulher moderna enfrenta diariamente, desde preocupações estéticas, a complexos e alteração de personalidade, em função das situações. Alterada ou não, a mulher é, indubitavelmente, o tema-chave do cartoon semanal.
Maitena retrata os problemas existenciais da mulher, as suas dúvidas, certezas e ideias, mas mostrando sempre que não há nada melhor do que ser mulher. Por mais complicadas que as situações sejam, a mulher e o seu sexto sentido acabam por colmatar as dificuldades, com uma boa dose de charme, boa disposição e muita habilidade.
No entanto, a inteligência não parece ser a sua principal arma. E esta sátira foca o facto de a mulher fazer “uma tempestade num copo de água”, nas situações mais simples. Ironiza o facto de os pormenores serem fulcrais na vida de uma mulher, estabelecendo, ainda que indirectamente, uma comparação entre o facilitismo masculino e a indecisão feminina.
Certo é que ninguém consegue escapar a este cartoon sem esboçar um sorriso que seja, ou identificar-se com as situações narradas: as mulheres, porque já passaram, certamente, pelo mesmo; os homens porque assistiram a situações idênticas
Quem lê este cartoon, fica sem perceber se quem o faz é uma mulher ou um homem. Por um lado, as sátiras parecem um envenenamento do comportamento feminino. Por outro, a subtileza com que certos temas são abordados parecem só poder ser contados por quem os vive. Maitena é assim: espontânea, divertida e muito actual.
Dentro da mesma linha, a referida revista publica também a rubrica “Histórias de amor”, fazendo alusão a situações conjugais, vistas do prisma da mulher, já que, para o homem, os dilemas da esposa parecem sempre insignificâncias.
Ainda que divertidos, os dois cartoons mostram o lado fútil da mulher, deixando transparecer o lado cómico dessas mesmas situações, o que confere à mulher o poder de divertir os leitores da revista Pública, incluindo os próprios homens.


Ana Filipa Poceiro
filipa_cs@portugalmail.pt

Mulheres em campo de homens… 

O futebol é um desporto maioritariamente masculino. Contudo, a presença de mulheres no universo futebolístico é cada vez maior. E Portugal não é excepção…

Na revista “Pública” de 23 de Setembro de 2003, Luís Miguel Viana apresentava “As meninas da bola” portuguesas, fazendo referência à pouca expansão da prática futebolística no que respeita às mulheres portuguesas.
Estima-se que sejam cerca de mil as adeptas da modalidade, organizando-se em associações regionais ou clubes locais. São, na sua maioria, mulheres licenciadas que jogam “por amor à camisola” e se situam na linha dos 20-24 anos. São, na verdade, jogadoras da selecção, atletas de alta competição que não têm esse estatuto reconhecido.
Luís Miguel Viana apresenta-nos quatro casos bem sucedidos: Edite Fernandes (ponta de lança), Mónica Ribeiro (trinco), Carla Cristina (guarda-redes) e Joana Gaspar (médio), num breve relato das suas andanças pelo mundo do futebol feminino e das adversidades ultrapassadas.
Num país conservador como Portugal, casos como estes necessitaram de grande incentivo e dedicação, uma vez que o “desporto-rei” apenas assume projecção e destaque consideráveis no caso mais habitual: o masculino.
Curiosa é a constatação possível a partir da comparação dos dados estatísticos entre jogos masculinos e femininos dos últimos campeonatos da Europa: os jogos femininos apresentam menos faltas, mais tempo útil de jogo, mais golos, menos interrupções e intervenções do árbitro.
Estas mulheres, do ponto de vista social, são vistas como “machos”, muito por culpa da atitude das aficionadas da década de 70 que, à semelhança dos seus colegas masculinos, usavam camisolas largas e assumiam comportamentos masculinos, copiando até, cortes de cabelo de jogadores conhecidos, como Fernando Gomes ou Paulinho Cascavel. Ao invés, nomes como o de Mia Hamm (avançada da selecção americana) vieram contrariar essa ideia, avançando com forte publicidade que atestava a feminilidade das jogadoras de futebol.
Nos EUA, o futebol feminino é encarado com bastante respeito e seriedade, equiparando-se em importância, ao futebol masculino português.
Com o passar do tempo, ouvimos mesmo falar em “moda” nos jogos de futebol femininos. Adoptaram-se equipamentos mais justos, que salientam as formas do corpo. As futebolistas optaram pela maquilhagem, mesmo em situação de jogo.
Convém referir, para os mais cépticos, que não se tratam de desfiles desportivos, mas de jogos de futebol a sério…protagonizados por mulheres.

Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

Viver sem “regra” 

São muitas as revistas tipicamente femininas, como a Cosmopolitan, a Elle, a Activa, a Máxima, ou a Ragazza (esta última mais virada para os problemas das jovens adolescentes), que se debruçam sobre assuntos vocacionados para este sexo. Embora actualmente a barreira entre o que é feminino e masculino se torne cada vez mais ténue, ainda existem assuntos que só dizem respeito às mulheres. Um destes assuntos é indubitavelmente a menstruação.


A revista Única que acompanha semanalmente o jornal Expresso foca esta semana, com um artigo entitulado “o fim da história”, esta realidade feminina mais conhecida por período. Este artigo refere-se não só à menstruação, como também ao seu fim. Dito desta forma parece um pouco estranho, pois desde sempre o sexo feminino foi conformado a viver com a “regra”.
No entanto, este “estado feminino”, (que já pode ser controlado através de vários fármacos e dispositivos, que apesar de não eliminarem por completo os ciclos menstruais, os reduzem nitidamente) está prestes a conhecer uma nova forma de se processar.
Em Outubro de 2003, foi lançada nos Estados Unidos uma nova pílula anticoncepcional revolucionária que permite reduzir as menstruações a um terço daquilo a que nos habituamos, ou seja a quatro ciclos anuais.
Embora a Infarmed não planeie trazer este medicamento para Portugal, as mulheres portuguesas têm já vários métodos ao seu alcance que lhes permitem prolongar a ausência do período menstrual por vários meses. Desde as pílulas anticoncepcionais, até aos implantes subcutâneos, passando pelas injecções intramusculares, são variadas as formas para “atrasar” o período.
Apesar da maior parte da população feminina que recorre a estes métodos ter como objectivo impedir uma gravidez ou evitar os sintomas que precedem a menstruação (a tão irritante e incómoda tensão pré-menstrual), nenhum destes métodos é 100% seguro no que concerne ao cumprimento desses objectivos e, além disso, os efeitos secundários levam na maior parte das vezes ao aumento de peso, sendo este o principal malefício para quem se “submete” a estes fármacos quase “milagrosos”.
A mulher tem assim ao seu alcance a derradeira fronteira da manipulação do seu corpo, o controlo total do seu organismo numa era em que a beleza é a ditadora, e a cosmética e a cirurgia tomam conta do corpo humano e o moldam ao critério pessoal.
Contudo, Miguel Oliveira da Silva, ginecologista- obstreta no Hospital de Santa Maria e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, afirma que “é raro uma mulher pedir a um médico para eliminar o periodo.” A mulher continua, assim, a querer assegurar esta sua diferença perante o Homem e apesar do período ser inoportuno e uma autêntica chatice, as mulheres continuam a achá-lo como parte da sua feminilidade.
Não posso deixar de referir outro dos pontos abordados neste artigo, que remete para a indústria que se instalou em redor deste fenómeno determinado pela natureza. Todos os produtos que tratam da higiene feminina, leia-se pensos higiénicos e tampões, que apresentam uma evolução constante de modo a proporcionar maior conforto à mulher e que angariam milhões de euros anualmente, sentiriam um decréscimo na sua procura, assim como os analgésicos que tornam a síndrome pré-menstrual menos incomodativo acalmando as dores de cabeça e de barriga. As pílulas anticoncepcionais, consumidas mensalmente aos milhões no nosso país, tornar-se-iam também prescindíveis com a chegada deste novo medicamento.
Para que esta pílula se torne uma realidade mundial e adquira a importância que os métodos supracitados conseguiram estabelecer nas mentes da sociedade, é ainda necessário dissipar uma última dúvida, que é o facto de comprovar a necessidade biológica que o ciclo menstrual tem para o sexo feminino.
Quando esta questão for solucionada, as mulheres vão poder ter a liberdade de decidir aquilo que lhes foi imposto sem contestação pela natureza, durante milhares de gerações: ter, quando ter ou mesmo não ter o período.


Joana Guedes Pinto
(joanaguedespinto@tugamail.com)



Prolifera a desinformação 

O acesso à informação multiplica-se, mas ao contrário do que seria de esperar existe uma ausência de informação que é frequentemente apontada como causa dos vários problemas que preocupam toda uma sociedade cada vez mais mediatizada. A 9 de Fevereiro surgiram três notícias que versavam sobre problemas concernentes às mulheres e que indicavam a escassez informativa como principal entrave à dissolução destes problemas.

No Jornal de Notícias surge, em primeira página, uma notícia que refere os “atrasos no combate à violência doméstica”. As agressões contra as mulheres são tidas como a principal razão de morte e invalidez entre mulheres dos 16 aos 44 anos. Há uma grande campanha de sensibilização em torno deste problema e um projecto denominado Estrada Larga – Caminhos para Famílias sem Violência. Este projecto pretende abranger todo o país tentando sobretudo sensibilizar e informar, uma vez que, muitos portugueses não sabem ainda como agir quando são vítimas, ou quando se deparam com situações deste tipo. Isabel Dias socióloga e também docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto refere que “estes casos alimentam-se da privacidade e da intimidade”. Isto quer dizer que não são ainda abundantes as divulgações destes problemas tão íntimos e ao mesmo tempo tão sociais.
Como já referi, no mesmo dia surge uma outra notícia relacionada com o público feminino, desta vez, fala-se da infertilidade precoce que é cada vez mais frequente no nosso país. Esta informação foi divulgada no Jornal da Tarde da SIC, onde se revelou que é cada vez mais frequente a menopausa em mulheres com menos de 30 anos. Mais uma vez foi colocada a questão da informação, porque embora muitos factores apontem para a genética, há muitos que não o são e que poderiam até mesmo ser evitados. Factores que muito contribuem para este fenómeno são a aceleração do ritmo de vida, o stress a ela inerente, o tabagismo e uma alimentação descurada. Assim, uma resolução futura para este novo flagelo, que ameaça seriamente a mulher, passaria por novas bases no sistema educativo e na formação familiar. Para que tal seja exequível a informação é extremamente relevante e terá que ser encarada como o veio condutor de novos estilos e práticas de vida.
Ainda no referido bloco informativo do dia 9 de Fevereiro destacou-se uma outra notícia relacionada com as mulheres. Revelou-se que o Governo pretende implementar medidas que fomentem a informação sexual, de modo a prevenir situações que possam levar à necessidade de praticar o aborto, prática que tem sido muito discutida e divulgada. Mais uma vez fica provado que a informação é vital para evitar situações “críticas” que possam implicar medidas extremas.


Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt



domingo, fevereiro 08, 2004

Novo projecto para vítimas de violência doméstica 

Conceição Lavadinho, coordenadora do II Plano Nacional contra a violência Doméstica, apresenta-nos um conjunto de medidas a tomar para que as vítimas sejam mais protegidas e atendidas da devida forma quando fazem queixa, sugerindo, para isso, uma formação específica dos polícias para este tipo de casos.


No passado dia 6 de Fevereiro, Conceição Lavadinho, coordenadora do II Plano Nacional contra a Violência Doméstica, concedeu uma entrevista ao jornal “Público”, onde referiu quais os projectos que está a pensar pôr em prática no âmbito da formação dos polícias para atender mulheres vítimas de violência doméstica.
Conceição Lavadinho propõe, assim, a criação de um modelo de auto, através do qual o Ministério Público (MP) terá acesso a dados que, por vezes, não são convenientemente referidos. Muitas vezes, a informação chega incompleta às mãos dos juízes, fazendo com que o contacto entre o agressor e a vítima não seja impedido quando isso devia acontecer. É muito importante saber quais os indicadores de risco a referir e, por isso, “decidiu-se criar um auto de notícia padrão, normalizado, que possibilite a recolha de dados suficientemente claros para que o MP possa avaliar devidamente a situação e propor a medida de afastamento do agressor quando for necessário”, afirmou Conceição Lavadinho.
A coordenadora mostra-se confiante no projecto, que não obrigará a vítima a contar vezes sem conta a agressão que sofreu, uma vez que será elaborada uma ficha onde são colocados os dados. Essa ficha seguirá depois para o Instituto de Medicina Legal (IML). Desta forma, as vítimas não terão que repetir as histórias num momento em que estão fragilizadas. Este projecto também permitirá às autoridades perceber se o caso é isolado ou não.
Conceição Lavadinho pensa que não existe muita preparação para o atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica. A psicóloga acredita que, só em momentos de grande desespero, a mulher recorre à ajuda. Isto porque “os comportamentos que caracterizam a violência doméstica não acontecem uma vez na vida das pessoas, são repetidos, há um ciclo, que passa por um período em que vão surgindo tensões, depois há a agressão propriamente dita, depois há um período em que o agressor se sente culpado, pede desculpa, é amoroso, seduz a vítima, e a vítima é muito ambivalente, gosta do agressor – caso contrário não vivia com ele... – e, portanto, o que ela quer mesmo é que aquela parte boa prevaleça, quer acreditar que ainda vão ser felizes. É só quando estão completamente desesperadas que denunciam”, diz Conceição Lavadinho. A coordenadora também considera que, se a sociedade civil (família, amigos, vizinhos) protegesse as mulheres, os agressores não seriam tão violentos.
Um dos grandes obstáculos para as autoridades (e para as vítimas) é o facto de o agressor poder impedir a entrada destas nas sua casa, pois esta também é sua propriedade e não apenas da vítima, o que obriga ao pedido de um mandado que permita a entrada na residência. Consequentemente, surgem outros problemas, entre os quais, a falta de casas de abrigo. As vítimas, para além de sofrerem as agressões, são muitas vezes obrigadas a sair de casa (uma vez que o agressor se recusa a fazê-lo) para que a situação não se repita, recorrendo às casas de abrigo que não têm resposta para tanta procura. Conceição Lavadinho pensa que a solução é “haver uma maior aplicação da medida de afastamento do agressor. Não sei se a partir daí as casas de abrigo serão suficientes ou não”.
Para já, está também prevista uma grande campanha contra a violência doméstica, em que se irá proceder há sensibilização nas escolas, formação de professores nesta matéria, distribuição de folhetos em russo e em inglês, para que as minorias étnicas também tenham acesso à informação devida. Nesse mesmo folheto devem aparecer informações sobre onde se deve dirigir a vítima, o que devem levar quando saem de casa, etc. Os folhetos estarão disponíveis em centros de saúde, farmácias e hospitais.
Ao nível dos recursos financeiros, Conceição Lavadinho diz-nos que “A formação de polícias, por exemplo, implica verbas e esse custos têm de ser assumidos pelo Ministério da Administração Interna (MAI). Também temos entidades privadas interessadas em associar-se a algumas medidas do plano”.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

O humor e as mulheres 

Herman José chegou à SIC no ano 2000 para ser líder de audiências ao Domingo à noite. Apelidado de “maior humorista português”, o multi-facetado artista recorre frequentemente à nudez feminina como atractivo visual.

Após anos de sucessos na RTP1, Herman José mudou-se para a SIC onde apresenta um programa onde lhe é permitido fazer de tudo, desde mulheres que desfilam nuas, a números de striptease em directo.
Herman, contudo, adopta uma postura dicotómica em relação às mulheres: é um verdadeiro gentleman quando as suas convidadas são dignas da sua admiração; é irónico e satírico, quando se depara com figuras femininas com pouca aceitação social.
O seu programa recorre, variadas vezes, ao mundo feminino, quer no que respeita ao humor e sarcasmo, quer no que respeita à vertente sexual. Aliás, as críticas sociais que o apresentador constrói envolvem, na maioria das vezes, as mulheres e o seu comportamento. Exemplo disso é o sketch final, protagonizado por Joaquim Monchique e Ana Bola, personificando duas mulheres da alta sociedade, ávidas de críticas. Aqui está presente uma metáfora da mulher curiosa, que fala dos outros, tecendo comentários menos abonatórios ao estilo de vida das figuras públicas. Este sketch envolve também, a mesquinhez e futilidade das conversas femininas.
Herman, ao longo dos quase quatro anos de permanência na SIC, tornou-se mais arrojado na sua crítica ao mundo feminino não deixando, porém, de destacar e elogiar as mulheres, sempre que tem motivos para o fazer.

Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

As manhãs das mulheres  

As mulheres são o público – alvo das três estações portuguesas de televisão, no horário da manhã. É a pensar nelas que a RTP, SIC e TVI emitem programas idênticos, capazes de amenizar o peso das tarefas domésticas.
A RTP foi a primeira estação a perceber as vantagens de uma programação inteiramente dedicada ao sexo feminino. Surge assim “A Praça da Alegria”, pela mão de Manuel Luís Goucha. A SIC seguiu-lhe os passos, numa altura em que as manhãs da RTP continuavam na liderança. Entregue, num primeiro momento, a Júlia Pinheiro, o “SIC 10 horas” era a alternativa da estação privada, actualmente a cargo de Fátima Lopes. Mais tarde, a TVI seguiu o mesmo caminho, trazendo para as manhãs da TVI uma actriz em estado de graça, devido ao sucesso alcançado como protagonista na telenovela “Olhos de Água”, Sofia Alves. O programa “Manhãs de Sofia” não vingou, e a TVI, ciente da importância de um bom apresentador, contrata Manuel Luís Goucha à RTP, dando início ao “Olá Portugal”. Na RTP, Jorge Gabriel toma as rédeas do programa, ao lado de Sónia Araújo.
O conteúdo dos programas em nada difere. Abordam-se dramas sociais, tenta-se solucioná – -los, apelando à solidariedade de quem assiste. Distribui-se dinheiro através de mini- -concursos, de dificuldade mais ou menos acrescida. Fazem-se previsões astrológicas e demonstrações culinárias. Há sempre um convidado ilustre, música e humor. Privilegia-se, sobretudo, a interacção com o telespectador.
Através dessa interacção, podemos verificar que, quem assiste aos programas, pertence, essencialmente, à classe média baixa, e que as mulheres são maioritariamente domésticas quando não desempregadas ou reformadas.
A mulher surge como a companheira que está do outro lado, que se emociona com os problemas alheios, e que merece ser compreendida. Os apresentadores estabelecem laços de amizade com o seu público e são considerados elementos da família. Essencialmente, tenta-se agradar à mulher, como que agradecendo pela fidelidade ao canal.
De referir parece ser o facto de, numa programação vocacionada essencialmente para o público feminino, os apresentadores serem dois homens e apenas uma mulher.
Dá-se à mulher aquilo que se pensa que ela precisa: companhia e muita compreensão.

Ana Filipa Poceiro
filipa_cs@portugalmail.pt

Bela Silva, uma artista invulgar 

Bela Silva, de 37 anos, é reconhecida mundialmente pelos seus trabalhos, sendo considerada pelo director do Museu Nacional de azulejaria, Paulo Henriques, “a ceramista mais importante da geração de jovens autores a trabalhar em azulejaria”, como é referido na revista Pública do passado dia 1 de Fevereiro. Esta artista é a autora de uma exposição que irá ter lugar, muito em breve, na estação de metro de Alvalade, em Lisboa.

Bela Silva, de 37 anos, é portuguesa e vive entre Lisboa e Nova Iorque, mas as suas obras já correram o mundo. Os seus sapatos de cerâmica foram expostos em Chicago ao lado de trabalhos de Andy Warhol e Rebecca Horn, as suas telas foram levadas para o outro lado do mundo pelo presidente da Paramount Pictures, desenhou uma ilustração um tanto ou quanto ousada para o New York Times e viu um livro publicado com as suas ilustrações pela Running Express, cujo tema era “Mammasutra” (ser sexy quando se está grávida).
Bela Silva já expôs as suas obras em várias cidades do Mundo, quer individualmente (Chicago, Tóquio e Toskuma, no Japão) quer colectivamente (Nova Iorque, Chicago, St. Louis, Florença, Pequim e Vallauris) e os países onde mais vende são Portugal, Estados Unidos e Japão. Ultimamente o seu trabalho tem sido também cobiçado no Irão e no Sri Lanka , tendo já sido contactada por vários compradores destes países. O sucesso de Bela Silva é tal que em Portugal, nos Estados Unidos e no Japão há mesmo quem espere pelas suas obras mesmo antes de estarem prontas, facto que também se pode comprovar por ter vendido a maioria das suas obras aquando da sua exposição de “Odaliscas”, em Setembro, mesmo antes de esta ser inaugurada.
Esta artista viveu seis anos em Chicago, mas apesar de a considerar uma cidade que qualquer arquitecto deve visitar, não gostava da falta de cores, do tempo frio e da solidão, uma vez que não conhecia ninguém. Acabou, no entanto, por trabalhar ali em várias áreas, como fotografia e design de sapatos, colaborando, depois de concluir o mestrado, com organizações ligadas a escolas que faziam projectos de arte pública com crianças. Foi também convidada para ser directora de uma fábrica de cerâmica, mas recusou o convite. Voltou para Portugal já casada e grávida de seis meses, mas como o seu marido não se adaptou ao país, acabou por ir viver para Nova Iorque. Aos 24 anos quis fazer parte de um projecto de arqueologia na Grécia, concretizando um sonho antigo, mas acabou por desistir passados dois meses, concluindo que aquele era apenas um desejo de quando era criança. Mesmo assim, muitos dos seus trabalhos em cerâmica apresentam características dos objectos que encontrava quando fazia arqueologia para a Câmara Municipal de Almada. Mais tarde expôs as suas obras e fez alguns “workshops” no Japão, afirmando que sempre sentiu um grande fascínio pelos usos e costumes asiáticos. Actualmente vive em Lisboa, uma vez que está a preparar a exposição para a estação de metro de Lisboa, que será constituída por três painéis, mas que apenas estará pronta daqui a quatro meses. Na altura da inauguração, seremos presenteados “com 300 metros quadrados de fábulas às cores, explosões de humor e erotismo (mas contido, estaremos num lugar público), habitados por mulheres carnudas e sensuais, algumas perversas, por meninas a brincar, bichos exóticos, folhas de árvores”, como é referido na revista Pública do passado dia 1 de Fevereiro.
O interesse de Bela Silva pela azulejaria surgiu em Chicago, onde tirou o mestrado em Arte no Art Institute of Chicago, levando-a a recordar os azulejos de Lisboa. Foi na América que começou a explorar o imaginário do barroco, sendo por isso natural que por vezes seja considerada uma mulher “barroca”, mas outras vezes definem-na como uma artista “do tipo Blade Runner”.
O facto de ter crescido num ambiente de mulheres reflecte-se também muito nos seus trabalhos, uma vez que muitas vezes as mulheres aparecem enormes e os homens em tamanho muito pequeno. Em relação a isto, Bela Silva afirma que “As pessoas dizem que a mulher é grande que os homens aparecem sempre pequenos ou em forma de bicho. Isso é também um pouco a minha personalidade. Acabo por ser uma figura dominante nas relações(...)”. Também refere que começou a trabalhar a mulher e o homem nestas escalas por brincadeira, revelando-nos que “É a minha relação com o amor, com as coisas, que acaba por se reflectir no trabalho”.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Mulheres entre homens 

O facto de serem mulheres e de pertencerem à GNR (Guarda Nacional Republicana) não faz delas notícia, pois há já algum tempo que esta profissão não é exclusivamente masculina. A revista Única que acompanha o semanário Expresso publicou no dia 24 de Janeiro um artigo intitulado “As bravas do pelotão”, que fala precisamente de quatro mulheres que pertencem à GNR e que fazem parte da guarda do Palácio de Belém e do Presidente da República. As únicas em Portugal num ambiente predominantemente masculino.



A alferes Lucília Silva, lisboeta de 25 anos é a única mulher oficial de Cavalaria da Guarda Nacional Republicana e a primeira a comandar o pelotão do Esquadrão Presidencial na cerimónia de rendição solene. Comanda diáriamente todos os pelotões desse corpo e é por ela que passa toda a organização do serviço diário e a instrução do efectivo ( treino, tiro, educação física e regulamentos policiais). Segundo esta alferes “é uma honra ser a primeira mulher a comandar Belém”.
Dora Quintas nasceu em Évora há 29 anos e é a única praça feminina da Cavalaria que integra o esquadrão policial. Esta soldado executa todas as tarefas de segurança do perímetro do palácio e do serviço honorífico, que significa ficar horas imóvel de sentinela em frente à residência presidencial.
Marta Cruz tem 27 anos, é de Infantaria e não integra o esquadrão. Dedica-se na sua profissão a patrulhar à noite os jardins do Palácio de Belém. Esta cabo vai sermpre acompanhada de Pia, uma pastora alemã de 7anos. Fez especialização em cinotecnia pois sempre nutriu um grande amor por cães e estava nos seus sonhos trabalhar com estes animais. Em 2001 tornou-se no terceiro membro feminino da Companhia de Cinotecnia, sendo na actualidade a única mulher desta companhia.
Carla Leal de 30 anos está na secretaria, mas nunca está parada. Entre outras coisas conduz viaturas e resolve problemas informáticos. Começou a sua carreira em 1991 na Força Aérea onde cumpriu um contrato de quatro anos como mecânica de armamento. Ingressou na GNR em 1996 e é aí que se sente realizada.
Estas quatro senhoras vivem num "mundo" de 26 mil homens, onde o número de mulheres não chega às 500.
Apesar da disparidade numérica entre os sexos nesta instituição, estas mulheres sentem-se bem acolhidas e em nada diferentes dos homens que com elas trabalham.
Lucília Silva e Dora Quintas namoram e sonham com o casamento e com filhos. Já Marta Cruz e Carla Leal são casadas e a última concilia ainda o casamento e a profissão com uma filha de quase quatro anos. Estas quatro “guerreiras” demonstram que mesmo vivendo num meio masculino continuam a manter a sua feminilidade, fazendo no entanto um trabalho tão bom como o dos homens.
Basta pensar um pouco, para se vislumbrar na nossa mente um número de profissões tipicamente masculinas ou vulgarmente femininas, ou seja profissões que são exclusivamente e socialmente exercidas por um sexo, seja ele o feminino ou o masculino.
Sendo assim é com agrado que recebo notícias como esta, em que se abatem preconceitos e se promove a igualdade entre sexos numa mesma profissão.
O Capitão Almeida, de quem é adjunta a alferes Silva remata este artigo da Única de uma maneira excepcional salientando que “a diferença só está na cabeça das pessoas”.

Joana Guedes Pinto
Joanaguedespinto@tugamail.com


segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Chocolate, vício ou benesse?  

Existem provas que apontam historicamente que o chocolate começou a consumir-se no ano 600 a.C. Assim, pode constatar-se que, para além de não ser um vício contemporâneo, nem tampouco moderno, é um hábito que remonta a tempos muito distantes. Até ao século XIX, o consumo do chocolate não era acessível a todos, mantendo-se apenas este hábito nos estratos sociais mais elevados. No início do século supracitado, a qualidade de vida aumenta e o consumo deste “vício doce” democratiza-se.

Na edição da Notícias Magazine desta semana surge um artigo muito interessante que versa sobre a importância do chocolate na vida humana. Neste artigo são enumerados os vários benefícios desta “droga doce” que é o chocolate. A desmistificar a ideia de que os “chocolato-maníacos” são tipicamente femininos, Marie Beuzard refere um exemplo masculino que afirma ter “uma relação muito próxima e feliz com o chocolate”, estas são as palavras de Pedro D’ Avillez, que não sabe se pode considerar-se um “chocoólico”. Porém, uma vez que o assunto é o chocolate, é peremptório ao refutar “o mito de que esta dependência afecta maioritariamente as mulheres”, este senhor vai ainda mais longe e explica que “o que os investigadores não sabem é que os homens são «chocoholics de armário», ou seja, pelo menos os mais inseguros comem às escondidas!”. É de louvar este reconhecimento masculino, pois assim cai um pouco por terra a ideia de que só as mulheres são frágeis ou inseguras, ou de que só as mulheres dependem deste vício que não tem consequências nefastas ou prejudiciais para a saúde humana.
É importante salientar a qualidade deste artigo, que além de toda uma componente histórica e clínica, ressalta ainda diferentes visões dos consumidores de chocolate, não só os femininos, como frequentemente se considera.


Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt


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