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terça-feira, maio 25, 2004

Um milhar pela paz... 

No jornal Público de 19 de Maio, Joaquim Fidalgo fala-nos da "paz no feminino", uma iniciativa que pretende premiar 1000 mulheres pelo seu esforço e empenho a favor da paz no mundo.

A rubrica "Ver para crer" de 19 de Maio aborda a questão da paz numa vertente pouco habitual: em causa está o reconhecimento da acção de cerca de 1000 mulheres, candidatas ao Prémio Nobel da Paz em 2005.
Esta iniciativa oriunda da Suíça, vem contrariar a habitual tendência para premiar e reconhecer homens, desde há 103 anos. Neste espaço de tempo, apenas 11 mulheres foram merecedoras de destaque, contra oito dezenas de homens, entre instituições e organizações.
Joaquim Fidalgo na sua crónica semanal chama a atenção para a particularidade da iniciativa: "é um prémio colectivo, mas feito de uma soma de mil individualidades, todas diferentes e todas com o seu quê de igual, que valem cada uma por si e que valem igualmente, no conjunto, como homenagem aos milhões de mulheres que trabalham diariamente pela paz nas mais diversas latitudes".
No conjunto de 1000 mulheres que integra o grupo destacado, pretende-se que haja, pelo menos, uma a representar cada um dos 225 países do mundo, sem excepção.
Este projecto está disponível online em www.1000peacewomen.org.



Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt


Visão artística no feminino 

Ao completar 30 anos de carreira e 60 anos de idade, Armanda Passos decidiu expor cerca de três dezenas de obras inéditas. O tema é, invariavelmente e apenas, o mundo feminino.

Na revista Visão de 19 de Fevereiro de 2004, Cesaltina Pinto faz uma breve alusão à exposição de Armanda Passos no Lugar do Desenho, em Gondomar, aquando da comemoração dos 30 anos de carreira ininterrupta da pintora.
As mulheres são o seu tema de eleição. De variadas cores e diversos feitios, o mundo feminino é o grande protagonista da sua pintura.
Armanda Passos elege a mulher, entre qualquer outro tema, pelas referências que lhe proporciona. Entre desenhos e telas a óleo, o corpo feminino adquire as mais diversas formas e é o espaço onde a pintora dá a conhecer ao mundo o seu universo, apostando na feminilidade da arte.



Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt


terça-feira, maio 04, 2004

Apresentadoras Femininas 

É possível encontrar várias mulheres a apresentar diversos programas nos quatro canais portugueses. É mesmo visível um domínio feminino nesta área, uma vez que são muitos os programas apresentados por mulheres.

Na RTP1, durante a manhã há o programa Praça da Alegria que tem como apresentadores Jorge Gabriel e Sónia Araújo. Os apresentadores do Jornal da Tarde são Carlos Daniel, João Fernando Ramos e Helder Silva. Durante a tarde evidencia-se o domínio feminino no programa Portugal no Coração que é apresentado por Marta Castro, Merche Romero e José Carlos Malato. O programa SMS é também apresentado por uma mulher, Serenela Andrade, porém, no horário nobre este canal não oferece nenhum programa com apresentação feminina, exceptuando o Prós e Contras, com exibição semanal, um espaço de discussão pública apresentado por Fátima Campos Ferreira. Neste canal, ao fim de semana há dois programas que dividem a apresentação pelos dois sexos: o Top + apresentado por Francisco Mendes e Isabel Figueira e o Soccastars que tem como pivôs Jorge Gabriel e Sara Jorge. No desporto destaca-se o Domingo Desportivo apresentado por Cecília Carmo.
No outro canal público destaca-se o Jornal da 2 que conta com a apresentação de Carlos Fino e Alberta Marques Fernandes. Nesta estação há também um programa de índole cultural que tem um rosto feminino na apresentação. MAGAZINE que antes contava com uma apresentação masculina tem agora Anabela Mota Ribeiro na linha da frente.
O domínio feminino é particularmente visível na SIC. Neste canal, a manhã é preenchida com um programa no feminino, Fátima Lopes apresenta o SIC 10 Horas. O Primeiro Jornal conta frequentemente com um pivô feminino, ou Clara de Sousa, ou Maria João Ruela. Durante a tarde Fernanda Freitas e José Figueiras dividem a apresentação do talk show Às 2 por 3. À noite, no Jornal da Noite é mais frequente a presença de pivôs masculinos do que femininos. Ao sábado ao início da tarde há ainda Êxtase, o irreverente programa apresentado por Sílvia Alberto. Neste mesmo dia, ao final da noite Elsa Raposo dá corpo a Sexappeal.
Ao contrário do que acontece na SIC e na RTP1, na TVI o programa matinal é apresentado por Manuel Luís Goucha. Porém, no início da manhã Júlia Pinheiro e Henrique Garcia apresentam o Diário da Manhã. Também no TVI Jornal é muito frequente um rosto feminino, Ana Sofia Vinhas é habitualmente o pivô deste bloco informativo. Ainda diferente dos outros canais, na TVI o talk show da tarde não conta com nenhuma cara feminina. Durante a tarde, apenas o programa “Quem quer Ganha” é apresentado por uma mulher, Iva Domingues dá voz a este concurso. Habitualmente, nesta estação a informação do horário nobre é no feminino. Manuela Moura Guedes é apresentadora assídua do Jornal Nacional. Ao fim de semana há o programa Lux apresentado por Rita Seguro e o Eu Confesso com apresentação de Júlia Pinheiro.

Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt


“Não há mulheres feias” 

Josephine Esther Mentzer, mais conhecida como Esteé Lauder, faleceu aos 97 anos, vítima de uma paragem cárdio- respiratória, na semana passada em Nova Iorque. Fundadora da famosa marca de cosméticos com o mesmo nome, Josephine foi a única mulher a integrar em 1998, a lista da revista Time dos vinte nomes mais influentes do mundo dos negócios do século XX.


Filha de emigrantes húngaros, começou como pequena produtora de cremes faciais e tem actualmente um império internacional de cosméticos avaliado em cinco mil milhões de dólares. Para a sua empresa trabalham cerca de 21 500 pessoas em mais de 130 países.
Desde pequena se sentiu fascinada pelas loções e cremes faciais, que o seu tio fabricava de forma artesanal, sendo mais tarde a sua promotora. Em 1946, juntamente com o seu marido, fundou o negócio da venda dos produtos que o seu tio criava. Esse produtos de beleza começaram por ser vendidos em hotéis e lojas de cosméticos. Hoje aquilo, que começou por ser um negócio de família artesanal, vende mais de 70 perfumes, além de várias gamas de produtos de beleza para mulheres e é possuidor de marcas como a Clinique e a Aveda.
Esta mulher foi pioneira ao oferecer amostras de produtos aos seus clientes e era conhecida como uma excelente vendedora, fazendo questão de visitar as suas lojas e contactar directamente com os seus clientes.
Edificou um império, que hoje está nas mãos dos seus dois filhos, Leonard e Ronald, presidentes da Esteé Lauder e da Clinique e de alguns dos seus netos, que se encontram também ligados ao negócio.
Josephine ficou conhecida por ter dito que “a beleza é uma atitude”.
A beleza para ela não tinha segredos. A rainha dos cosméticos, como foi muitas vezes apelidada, afirmava quanto à beleza que “não há segredo. Porque é que todas as noivas são bonitas? Porque no dia do casamento elas preocupam-se em especial com a aparência. Não há mulheres feias. Apenas mulheres que não se cuidam ou não acreditam que são atraentes".


Joana Guedes Pinto
(joanaguedespinto@tugamail.com)

“Queimada Viva”: uma questão de honra 

Souad é uma mulher com idade incerta (entre 40 e 50 anos) que foi vítima de um «crime de honra». No entanto, sobreviveu e acaba de publicar um livro intitulado “Queimada Viva”, onde conta como tudo aconteceu.

Souad nasceu numa pequena aldeia da Cisjordânia e acaba de publicar um livro intitulado “Queimada Viva”. No livro conta-nos a história da sua vida, uma vez que foi vítima dos «crimes de honra», que matam cinco mil mulheres por ano em vários países, como é referido na revista Pública do passado dia 2 de Maio. Entre esses países encontram-se o Brasil, Jordânia, Equador, Uganda, Egipto e Turquia, entre outros.
Com origem em tradições tribais e patriarcais, os «crimes de honra» são actos de violência praticados contra as mulheres quando estas cometem adultério, querem o divórcio, são violadas ou se recusam a submeter a um casamento arranjado e são aplicados pelos homens da família. Como e referido na revista Pública, a organização Human Rights Watch (HRW) apresentou um documento à ONU em 2001 onde é referido que “os crimes de honra não são específicos de nenhuma religião, nem estão limitados a qualquer região do mundo”.
No livro “Queimada Viva”, Souad conta precisamente como foi julgada e condenada pela família. Na altura em que tudo aconteceu, tinha 17 anos e ainda não era casada, o que na sua aldeia a tornava alvo de troça. Apaixonou-se por um rapaz que a tinha pedido em casamento, mas que a abandonou quando soube que Souad estava grávida. POR intermédio de uma tia, os pais tiveram conhecimento do sucedido e logo prepararam a sentença. No dia seguinte, o cunhado de Souad regou-a com gasolina e ateou-lhe fogo. A jovem conseguiu sobreviver e acabou por ser salva no hospital, já depois de ter dado à luz, por Jacqueline Thibault, activista de uma organização suíça, a Surgir. Jacqueline consegue convencer os pais de Souad que seria melhor que a filha morresse noutro país.
Souad relembra toda a história da sua vida no livro. Conta como conheceu o seu actual marido e como consegue manter contacto com o filho, que tinha sido adoptado. Recusa-se a dizer o nome verdadeiro ou a mostrar a cara, pois receia ser encontrada pela família.
No que diz respeito a tradições religiosas, como a proibição do uso do véu em França, tem uma posição muito definida: “Se querem pôr o véu, que fiquem nos seus países. Se vivemos na Europa, temos de viver como na Europa”, refere na revista Pública.
Souad é uma das sobreviventes dos «crimes de honra» e pode contar a sua história ao mundo, mas a verdade é que pouco se tem feito para garantir a liberdade das mulheres em países onde os animais são considerados mais importantes e onde apenas os homens podem frequentar a escola.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

Informar para combater a desinformação 

A maternidade na adolescência continua a ser, actualmente, tema de inúmeros debates.
A verdade é que Portugal é o segundo país com mais nascimentos em jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos.A SIC disponibiliza dados sobre a maternidade na adolescência no site www.siconline.pt, facto de destaque, uma vez que Portugal está no topo das estatísticas.

Neste aspecto, o nosso país compara-se aos países menos desenvolvidos, onde a desinformação possui um lugar cativo. Nesses países, o desconhecimento dos métodos contraceptivos e a pobreza constituem a raiz do problema. As jovens sentem necessidade de ajudar as famílias e prostituem-se, sem tomar qualquer tipo de precaução, o que faz com que todos os dias existam mais jovens infectadas pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.
Numa altura em que o debate se mantém aceso em torno da questão da educação sexual nas escolas, contrariar a tendência nacional, é uma prioridade. Os órgãos de comunicação social, neste caso concreto, a SIC, podem desempenhar um papel de primeiro plano no esclarecimento de adolescentes menos informadas.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

Acabar com a discriminação feminina 

Apesar de não se verificar uma discriminação, as mulheres são abordadas de forma negativa pelos Media. Este facto é o reflexo da realidade que se vive no nosso país. Títulos como "Mulheres ganham menos", "Dia Europeu da vítima" ou "Violência contra as mulheres" encontram-se na SIC- online e dão-nos a conhecer a existência de problemas que afectam a mulher.


"Mulheres ganham menos" é um título que foca um aspecto, que se pensava ultrapassado.
Apesar de ter havido uma aproximação dos salários, conferidos ao sexo feminino e ao sexo masculino, este é um assunto que prejudica, sobretudo o sexo feminino. Em 1998, as mulheres ganhavam em média 81% dos salários dos homens. Hoje em dia a percentagem chega aos 84%. No entanto, a diferença nas remunerações chega aos 110 euros. De acordo com o Instituto Nacional de estatística, o salário médio das trabalhadoras dependentes no ano passado foi de 577 euros, enquanto que o dos homens chegava aos 687 euros.
No mercado do trabalho as mulheres são as mais prejudicadas. Como se já não bastasse a discriminação salarial, o desemprego e a precariedade são também fortes penalizadores do sexo feminino. Num mundo cada vez mais global e mais assexuado, onde se lutam pelos mesmos direitos e deveres, esta realidade parece ser incompreensível.
Outro dos assuntos protagonizado pelas mulheres prende-se com o "Dia Europeu da vítima". Segundo este artigo, foram apresentadas na Associação portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), cerca de oito mil queixas, sendo a sua maioria de crimes praticados contra as mulheres na sua própria habitação, sendo essas agressões feitas pelos próprios maridos e companheiros. Dos quase oito mil processos registados na APAV mais de metade são de homens que bateram em mulheres. Em menor número são os csos de mulheres que agrediram os maridos: 270 casos aproximadamente. A APAV recebeu ainda quase 200 casos de violações ao sexo feminino.
Mesmo no que concerne às crianças, as principais vítimas são as do sexo feminino. Registaram-se cerca de 430 casos, onde as raparigas são as vítimas, contra as quase 250 queixas dos rapazes agredidos. Aqui a diferença mantém-se quando se trata de abusos sexuais a menores. Na maior parte dos casos registados, o agressor é o próprio pai das vítimas.
Outro artigo da mesma página, intitulado "Violência contra as mulheres", fala-nos de uma campanha mundial lançada pela Amnistia Internacional (AI), para acabar com a violência contra as mulheres. O lançamento desta campanha coincide com a divulgação de um relatório com factos e números de atrocidades cometidas contra as mulheres.
"Desde o campo de batalha ao próprio quarto as mulheres estão em risco". Com estas palavras, a AI deixa claro que a violência sobre as mulheres acontece das mais variadas formas em vários sítios, é afirmado no artigo em questão. Nos últimos anos, com os cenários de guerra, a violação tem atingido números inquietantes. Uma em cada três mulheres foi já espancada e forçada a ter relações sexuais. Portugal tem também lugar no relatório apresentado. A campanha empreendida pela AI pretende abranger vários problemas, que afectam as mulheres em todo o mundo.
Cláudia Pedra, da secção portuguesa da AI, afirma neste artigo que "esta campanha é muito generalista sobre todos os tipos de problemas. Estamos também a falar de violações sexuais, muitas vezes usadas como armas de guerra, de situações como a mutilação genital feminina, ataques com ácido, mortes de honra", acrescentando que a campanha se desenvolve nos "sítios onde as mulheres são um alvo preferencial de violações de direitos humanos".
Apesar da vergonha que as vítimas femininas têm em denunciar os seus agressores, a PSP e a GNR registaram em 2002 11 mil denúncias de crimes contra mulheres. No entanto, os processos ficam muitas das vezes suspensos devido à insuficiência de provas. A AI apela assim às mulheres de todo o mundo para não terem receio de fazer denúncias e exige o cumprimento das leis internacionais e nacionais para prevenir, investigar e punir os actos de violência praticados contras as mulheres.
Desta forma, parece-me que não são os media que discriminam as mulheres ao retratá-las de forma negativa. O problema parece residir no facto de actualmente o sexo feminino ser, ainda, discriminado. Os media são até uma ajuda na divulgação desses maus tratos. Ainda que, de forma negativa, as mulheres acabam por ganhar relevo na comunicação social e conseguir projecção para que insurjam iniciativas, campanhas e movimentos que a ajudam a libertar-se da condição que ocupa na sociedade do séc. XXI.


Joana Guedes Pinto
(joanaguedespinto@tugamail.com)

segunda-feira, maio 03, 2004

Aung San Suu Kyi poderá ser libertada brevemente 

Aung San Suu Kyi, dirigente do principal partido da oposição na Birmânia, encontra-se detida em prisão domiciliária desde Maio do ano passado. Aguarda-se para breve a libertação daquela que é considerada a «mãe coragem».

Aung San Suu Kyi, filha do general Aung San, herói da luta pela independência da Birmânia, nasceu em 1945 e estudou nas melhores escolas de Rangum, Índia e Inglaterra (Oxford), enquanto acompanhava a sua mãe, que tinha sido nomeada embaixadora em 1960. Suu Kyi tem dois filhos, frutos do casamento com Michael Aris, professor universitário e especialista da religião budista e do Tibete. Nessa altura, trabalhava como Assistente na Escola de Estudos Orientais de Londres, ligada ao Secretariado do Conselho das Questões Administrativas e Orçamentais das Nações Unidas, como é referido no site do jornal Público.
Suu Kyi regressou à Birmânia em Abril de 1988, com o objectivo de proclamar e exigir a democracia para o seu país, com eleições livres e a formação de um governo interino. Acabou por ser colocada em prisão domiciliária pelos seus actos a 20 de Julho de 1989, mas continuou a incitar a Liga Nacional para a Democracia (LND) a concorrer às eleições, que acabaram por ser vencidas por este partido em Maio de 1990 nas eleições gerais. No entanto, os militares não permitiram a subida ao poder da LND, desmantelando todos os partidos políticos e detendo os companheiros da líder.
A líder da oposição na Birmânia, apelidada de «mãe coragem», foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz, numa proposta feita pelo Presidente checo, Vaclav Havel. No entanto, o prémio teve se ser recebido pelo seu filho, a 10 de Dezembro de 1991.
Aung San Suu Kyi foi libertada em Julho de 1995, mas, cinco anos depois, quando tentava apanhar o comboio para poder visitar alguns militantes pró-democracia em Mandalay, foi novamente detida.
Feita prisioneira pela terceira vez em Maio do ano passado durante três meses em local desconhecido, Suu Kyi recebeu já a visita de Razali Ismail (enviado especial do secretário-geral da Nações Unidas) e de Paulo Sérgio Pinheiro (enviado especial da ONU para os direitos do Homem). Segundo o site do jornal Público, o ministro dos Negócios Estrangeiros birmanês, Win Aung, anunciou, numa entrevista dada ao canal ITV da Tailândia, que Aung San Suu Kyi será libertada a 17 de Maio. No entanto, notícias mais recentes citadas no site da Sic referem que o presidente da LND espera a libertação da dirigente do seu partido ainda esta semana.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

Programação diária direccionada para a mulher 

Durante o dia, nos três canais mais vistos em Portugal, são vários os programas que se dirigem para o público feminino. Deste modo, recorda-se a velha ideia de que as mulheres passam o dia em frente ao televisor, enquanto os homens trabalham.

A RTP preenche a manhã com o programa Praça da Alegria, durante a tarde é emitido o Portugal no Coração. Estes dois programas contam com a participação feminina na apresentação, no primeiro Sónia Araújo acompanha Jorge Gabriel, no Programa da tarde José Carlos Malato conta com Merche Romero e Marta Leite Castro. Ambos os programas se baseiam muito no diálogo, na música, na moda, nas trivialidades do dia-a-dia. O programa matutino dedica também algum espaço à cozinha e às receitas que as mulheres tanto gostam. Entre estes dois programas, há espaço para as notícias e para uma novela.
Na SIC a manhã completa-se com o programa apresentado por Fátima Lopes, SIC 10 Horas, a estrutura não difere muito do seu análogo da estação pública de televisão. À tarde, o Às 2 por 3, apresentado por Fernanda Freitas e José Figueiras, não se distingue muito dos descritos anteriormente: conversa-se, discute-se a vida alheia e trocam-se experiências. Logo após este talk show começam as novelas. São quatro no total, uma portuguesa e três brasileiras. Após esta panóplia novelesca há espaço para o Jornal da Noite e seguem-se mais três.
A TVI não apresenta uma programação muito diferente e durante a manhã transmite o programa apresentado por Manuel Luís Goucha, Olá Portugal. Por volta das 15h00 surge outro talk show, A Vida é Bela apresentado por Carlos Ribeiro. Logo a seguir há a emissão de várias telenovelas, tal como acontece na SIC. Na TVI há a particularidade dos programas não serem apresentados por mulheres.
Convém salientar que em todos os talk shows é possível participar via telefone e quase sempre estes participantes são do sexo feminino.

Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt


Correio do Brasil chega a Portugal 

No dia 19 de Fevereiro chegou às bancas um novo jornal: o Correio do Brasil.
Com uma imagem leve e descontraída, esta publicação dirigida por uma mulher promete fazer a ligação entre as comunidades brasileiras sediadas em Portugal e a sua terra Natal.

Na primeira edição desta nova publicação, Jorge Sampaio e Lula da Silva deixam uma mensagem aos leitores do jornal, reiterando as ligações luso-brasileiras e mostrando que, para além de uma língua comum, há também interesses comuns entre Portugal e o Brasil.
Em jeito de Editorial, Alberto Dines, editor-chefe do Correio do Brasil, diz que este jornal “materializa o sonho de uma ponte impressa entre o ponto mais ocidental da Europa e a ponta mais oriental da América do Sul”.
Nesta primeira edição, relatam-se as origens do carnaval, fazem-se referências musicais, literárias, televisivas e futebolísticas, entrevistam-se grandes nomes da sociedade brasileira e mostra-se um pouco de ambos os territórios: o luso e o brasileiro.
Como suplemento do primeiro número, um cd de música brasileira traz até Portugal o timbre de oito grandes vozes do Brasil.
A par da novidade no mercado, é de destacar o facto de o Correio do Brasil ser dirigido por uma mulher, Paula Ribeiro, assim como a particularidade de este jornal apresentar uma equipa redactorial composta por um número de mulheres superior ao número de homens, facto esse que contraria a tendência portuguesa para os directores masculinos e para as redacções compostas, na sua maioria, por homens.


Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

Mulheres na rádio 

As duas rádios generalistas de maior impacto nacional são um mundo de homens.
Tanto a Rádio Comercial como a RFM têm, na sua maioria, homens a cumprir as mais variadas funções. São poucas as vozes femininas destas duas rádios. No entanto, são uma referência do mundo radiofónico português.

As manhãs da Comercial arrancam com a “Bomba Relógio”, protagonizada por um duo homónimo: João e João, fazendo um jogo de palavras com os nomes dos apresentadores: João Vaz e Maria João Simões.
Marta Santos e Vanda Miranda são também outros dois destaques do quadro. À parte, a informação e animação estão a cargo dos restantes seis homens que compõem o corpo de jornalistas da Comercial.
No trânsito, Mónica Baltazar e Isilda Félix são as únicas mulheres a desempenhar esta função.
As restantes mulheres distribuem-se por cargos de secretariado, direcção comercial, direcção de marketing e produção.
Num total de 48 pessoas, apenas nove são mulheres.
Na RFM, a questão é ainda mais flagrante: dos 11 destaques desta rádio, apenas Carla Rocha e Joana Cruz integram esta equipa liderada, essencialmente, pelo sexo masculino.
Quando ligamos o rádio, a probabilidade de ouvirmos uma mulher é ,substancialmente, menor.
Ficam de lado os anúncios publicitários que apresentam vozes femininas “quentes” e convidativas, que promovem um produto, com a maior atractividade possível, a par da sensualidade conferida às mulheres, aliada ao seu poder de persuasão.


Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

domingo, maio 02, 2004

Dia da Mãe no DN 

As mulheres não são, habitualmente, notícia nos jornais portugueses, mas nos dias dedicados ao sexo feminino, a mulher não passa despercebida.

A propósito do Dia da Mãe, o Diário de Notícias (DN) publica uma reportagem sobre mães que o são, contra tudo e contra todos. Intitulado de “Todas as formas de maternidade”, o artigo começa por esclarecer que a sociedade portuguesa está, ainda, muito presa a estereótipos, e que a mulher é uma das principais vítimas. Nesta reportagem, o DN dá a conhecer quatro casos de mães que, de alguma forma, tiveram de ultrapassar adversidades. Ana, Celeste, Filipa e Joana são mulheres a quem a vida, de uma maneira ou de outra, atraiçoou, mas que não deixaram de se preocupar com o seu papel enquanto mãe.
Aproveitando a data em questão, o DN publica, na sua primeira página da secção Sociedade, um estudo que mostra que os “Açores têm o dobro da taxa de gravidez precoce” e um outro artigo cujo título alerta para o “Alto risco de mortalidade materna antes dos 20 anos”. Na mesma página, o jornal faz ainda uma chamada para a detenção de um indivíduo de 28 anos, suspeito de um crime de violação e relata a anómalo caso de uma criança de 13 anos que, acompanhada pela mãe, se apresentou numa consulta de planeamento familiar a fim de colocar um implante contraceptivo.
No que respeita à Notícias Magazine, revista semanal que acompanha o DN na sua edição dominical, a estratégia continua a ser a mesma: Isabel Stilwell, no editorial, comenta a dor por que uma mulher passa antes de dar à luz. A revista conta ainda com um artigo com dados estatísticos sobre os nascimentos em Portugal, com uma entrevista a uma médica pediatra e com outros dois artigos sobre o que é ser mãe, e como é que uma mãe se deve comportar quando regressa da maternidade.
O Diário de Notícias optou, este ano, por falar do Dia da Mãe recorrendo a assuntos menos vulgares, mostrando que o papel de mãe é tão importante nos primeiros como nos restantes anos de vida de uma criança e que, por vezes, esse factor é negligenciado.

Ana Filipa Poceiro





As mulheres e os jornais Desportivos  

O desporto é uma área predominantemente masculina. Nos jornais desportivos, as mulheres figuram em número reduzido, ou mesmo nulo, e quando aparecem, ocupam as últimas páginas, entre os grandes feitos masculinos.

O jornal “A Bola” do dia 30 de Abril contém, no seu total, cinco referências a mulheres. Steffi Graff, Nédia Semedo, Fernanda Ribeiro têm direito a um pequeno artigo, enquanto que Anastasiya Kapachinskaya, Annika Sorenstam apenas figuram nas breves.
Na edição do dia seguinte, o panorama é o mesmo: duas referências a tenistas, um pequeno artigo sobre Joana Pratas, velejadora que se qualificou para os Jogos Olímpicos de Atenas e uma breve sobre a gravidez da atleta brasileira Maureen Maggi, especialista no salto em comprimento.
Apesar da fraca alusão ao sexo feminino nas suas páginas, A Bola distribui, semanalmente, o Bola7, um suplemento que conta, inúmeras vezes, com o currículo de belas desportistas, assim como várias histórias de mulheres que fazem parte da vida de atletas masculinos e que são, também, alvo de desejo por parte dos amantes das modalidades desportivas.

Ana Filipa Poceiro


Uma imagem vale mais que mil acordes 

A Music Television, mundialmente conhecida por MTV, revolucionou o panorama musical, ao introduzir os videoclips. No entanto, a revolução não passou apenas pela música, mas também pelos seus intérpretes.
O canal de televisão americano rapidamente se alastrou a todo o mundo, sendo considerado como ícone de uma geração que vivia intensamente a música, aliada à imagem.
Se nos demais canais de televisão a mulher se pode queixar de tempo de antena, na MTV é diva e, o seu corpo, um valioso objecto, capaz de subir audiências e prender, ainda mais, a atenção dos jovens.
Os videoclips contribuíram para libertar a mulher de muitos estigmas mas, ao mesmo tempo, transformaram o seu corpo em algo tão importante como a qualidade da sua música: Madonna, Britney Spears, Kylie Minogue ou Byoncé são exemplos de artistas que conquistaram o mundo da música graças à sua imagem. O segredo do sucesso passa, actualmente, pelos corpos semi-nus e pelas posições sensuais.
As bandas que prescindem das mulheres como adorno da sua música acabam por ver, muitas vezes, dificultada a visualização dos seus “clips”, uma vez que estes não são tão apelativos para quem está em casa.
Optar por videoclips ousados é um grande passo para o sucesso e as mulheres que o fazem ganham, para além de muito dinheiro, a atenção dos homens e a inveja das mulheres.

Ana Filipa Poceiro



Público e JN esquecem a mulher 

Em Portugal, as notícias sobre mulheres são em números irrelevantes. No entanto, essa ausência não se torna tão evidente no que respeita ao número de jornalistas do sexo feminino.

Nos artigos assinados no Jornal de Notícias (JN) do dia 30 de Abril, 23 foram escritos por mulheres e 36 por homens. No Público do mesmo dia, as mulheres foram as autoras de 27 artigos, enquanto que 28 eram assinados por indivíduos do sexo masculino.
Se estes números não revelam disparidade, tal acontece na secção de Desporto: no Público não há nenhum texto assinado por mulheres, e no JN existem apenas dois, num total de oito artigos.
No que respeita a fotografias, o JN, conhecido pelo seu constante recurso às imagens, apresenta 13 fotografias de mulheres contra 25 de homens, enquanto que na secção de Desporto conta apenas com fotografias de atletas do sexo masculino, 20, no total.
Já o Público, parco em fotografias, exibe 22 homens e apenas cinco mulheres. No Desporto, três imagens de homens e uma única de uma mulher, Marion Jones, vencedora de cinco medalhas olímpicas em Sydney.
Constata-se que, tanto em artigos como em imagens, os jornais de maior tiragem em Portugal prescindem das mulheres na secção desportiva, dando primazia aos homens.

Ana Filipa Poceiro



Jovens apresentadoras revolucionam forma de estar na TV 

A televisão portuguesa foi assaltada pela rebeldia. Rostos jovens marcam a diferença no entretenimento, principalmente pela postura irreverente.

Longe da época em que as apresentadoras de televisão eram discretas, com uma atitude séria e quase inabalável, a nova geração de apresentadoras poderia perfeitamente ser o rosto da campanha publicitária de uma qualquer bebida energética: elas pulam, correm, riem, gritam, tudo sem deixar fugir o sorriso, o incontornável sorriso, imagem de marca de todas elas.
O discurso não é cinzento e as perguntas são sempre indiscretas. Os enganos são corrigidos com uma gargalhada, e é sempre possível mostrar a faceta de actriz. A câmara não assusta, é antes um objecto que dominam com exemplar mestria e que as persegue para onde quer que elas vão.
Sílvia Alberto é um dos exemplos. Chegou à televisão através do Club Disney, onde já mostrava o seu à-vontade perante as câmaras. Depois de um percurso discreto na apresentação de programas juvenis na RTP2, mudou-se para a SIC, onde era uma das repórteres do Catarina.com. Com a saída de Catarina Furtado para a RTP, Sílvia Alberto saltou para a ribalta, ficando a seu cargo o comando do programa, agora com um novo nome, Flash. A irreverência com que fazia as reportagens serviu-lhe de suporte nas entrevistas, e daí à apresentação do programa Ídolos foi um pequeno passo.
De um momento para o outro, Sílvia Alberto passou a estar em todo o lado, imprimindo sempre o seu cunho pessoal, jovem e descontraído, conferindo-lhe o estatuto de estrela do canal.

Ana Filipa Poceiro

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