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quarta-feira, janeiro 28, 2004

RTP aposta nos homens 

Entre os dias oito e 12 de Março, os blocos informativos diários das televisões portuguesas estiveram a cargo, na sua maioria, de pivôs do sexo masculino.
As televisões privadas foram alternando entre os dois sexos, enquanto a estação pública optou por se cingir à intervenção dos homens.

Analisando os cinco dias úteis da semana de oito a 12 de Março, apenas as estações privadas apresentaram pivôs femininas: Fernanda de Oliveira Ribeiro e Lurdes Baeta (SIC e TVI, respectivamente), destacaram-se nos blocos noticiosos da hora do almoço em dias alternados durante a semana.
A RTP apostou somente em pivôs masculinos, apresentando José Alberto Carvalho e João Fernando Ramos.
As estações de televisão privadas, empenhadas no equilíbrio, dividiram as intervenções por ambos os sexos: Fernanda de Oliveira Ribeiro e Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC; Lurdes Baeta e Pedro Pinto na TVI.
A aposta em pivôs masculinos tem sido uma tendência habitual da estação pública, contrastando com as estações privadas que colocam no grande écran sorridentes pivôs femininas ou pivôs masculinos de ar sério e empenhado
A heterogeneidade é uma característica de destaque tanto da SIC como da TVI, em oposição ao tradicionalismo disciplinado da RTP.


Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

Os rostos femininos do entretenimento 

A SIC foi a primeira estação privada a emitir em Portugal. Marcou uma década, tanto pela inovação, como pela aposta em novos rostos que viriam a marcar o panorama do audiovisual português. Entre esses rostos estavam o de muitas mulheres.

A estação de Queluz iniciou as suas emissões no dia 6 de Outubro de 1992, pela mão de Alberta Marques Fernandes. A cara da licenciada em Relações Internacionais seria o primeiro de muitos rostos femininos que marcaram a década de ouro da SIC. No entanto, as mulheres tiveram maior destaque na área do entretenimento.
Uma das grandes apostas da SIC era o programa “Chuva de Estrelas”. Em frente às câmaras, Catarina Furtado dava os primeiros passos e ajudava o canal a aumentar as audiências.
Polémica q.b., Júlia Pinheiro, que começara com a “Praça Pública”, apresentava o irreverente e, para muitos, incómodo programa “Noite da Má-língua”, sendo uma das fortes apostas de Rangel, tal como Fátima Lopes, a senhora das manhãs da SIC, que começou com a apresentação do “All you need is love”, passando pelo “Surprise Show”, chegando mesmo a ter um programa com o seu nome.
Mais tarde, Bárbara Guimarães substitui Catarina Furtado no “Chuva de Estrelas”, passando por diversos concursos. Fez “Duetos Imprevistos” com António Vitorino de Almeida, e passou para a SIC Notícias, agora mais vocacionada para as artes.
Estas não foram únicas, mas talvez as de maior destaque. Anos mais tarde, estes rostos do entretenimento mudaram a sua morada nas estações de televisão, mas continuam a ser marcos de referência para quem acompanha as suas lides.
A sua postura, o seu talento e até a sua beleza foram características essenciais de aceitabilidade tanto por parte do público como por parte dos directores de programas que fizeram destas mulheres verdadeiras divas da comunicação audiovisual do nosso país.

Ana Filipa Poceiro
filipa_cs@portugalmail.pt

Uma mulher portuguesa primeira dama dos EUA? 

Maria Teresa Ferreira é uma mulher portuguesa que pode vir a ser a primeira dama dos EUA. Casada com John Kerry, a sua contribuição é considerada decisiva para a vitória do marido.


Maria Teresa Ferreira, esposa de Jonh Kerry, pode vir a ser a primeira-dama dos EUA aos 64 anos.
Esta mulher nasceu em Moçambique e estudou num colégio de freiras, mas a educação católica que teve desde pequena nunca interferiu com a sua personalidade e ideais, facto que se pôde constatar por ter participado em várias manifestações e marchas contra o apartheid, em finais dos anos 50, quando estudava na Universidade Witwatersrand de Joanesburgo. Licenciou-se em Românicas e viajou para a Suíça, onde teve como colega Kofi Annan, o actual secretário-geral das Nações Unidas, na Escola de Tradutores-Intérpretes da Universidade de Genebra. Ainda antes de terminar o curso conheceu John Heinz III, por quem viria a apaixonar-se e a casar-se mais tarde. Mas Maria Teresa Ferreira não deixou que a vida amorosa interferisse na sua vida profissional e viajou para Nova Iorque, onde se tornou tradutora da ONU. No entanto, teve que abandonar a carreira independente com que tanto sonhava, pois o casamento, os três filhos e a carreira política do seu marido não o permitiam.
Apesar de tudo, em meados da década de 70, as suas convicções fizeram com que não permitisse que o marido, na altura eleito pela Pensilvânia senador republicano, se candidatasse à Casa Branca, chegando mesmo a afirmar que «Só por cima do meu cadáver!» isso iria acontecer, como é referido na revista Visão.
Maria Teresa Ferreira ficou viúva em 1991, quando John Heinz III sofreu um acidente de aviação na Filadélfia, mas não baixou os braços e deu razão àqueles que a chamavam Madre Teresa, por se preocupar com o ambiente e com os mais desfavorecidos e por querer salvar o mundo. Foi com esta iniciativa que refez a sua vida e se tornou, mais tarde, uma das representantes dos EUA numa Cimeira do Rio, nomeada pelo Presidente George Bush, uma vez que usou grande parte da fortuna do marido para este tipo de causas.
Foi nesta Cimeira que Maria Teresa Ferreira conheceu o seu actual marido, que apesar de ser um dos mais abastados membros do Senado dos EUA, foi acusado de apenas estar interessado na fortuna da sua actual mulher.
Maria Teresa tem mostrado estar preparada para todo o tipo de críticas nestas últimas semanas e a imprensa americana acredita que o seu contributo é indispensável e decisivo para uma futura vitória do marido na corrida à Casa Branca.


Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

terça-feira, janeiro 27, 2004

Liberdade de ser mulher 

Quando se fala em aborto fala-se em polémica. Este é um assunto que suscita controvérsia sempre que é discutido. São inúmeros os artigos que são publicados sobre este tema. Ultimamente esta matéria tem sido alvo por parte dos Media isto porque se tenciona legalizar o aborto e só o facto de se pensar, levanta já algumas divergências.


No dia 24 de Janeiro, Ferro Rodrigues assinou uma petição que reclama um novo referendo sobre a descriminalização do aborto e no próximo dia 3 de Março vai ser debatida no parlamento esta questão.
Títulos como “Pela despenalização do aborto”, “Aborto em discussão no parlamento” e “Indulto para crime de aborto” entre muitos outros dão destaque ao aborto e tornam-no notícia na SIC on-line. No entanto a interrupção voluntária de gravidez tem tomado voz pela mão de vários jornalistas em diferentes publicações. Exemplo disso é a crónica desta semana de Clara Ferreira Alves, a “Pluma caprichosa”, intitulada “O aborto,ainda” na revista Única, revista que sai semanalmente com o jornal Expresso.
O aborto é visto nesta página de uma maneira que pode escandalizar as mentes mais conservadoras, embora das suas palavras se consigam retirar verdades que são facilmente entendidas por todos, mesmo por aqueles que teimam em “dizer não” ao aborto e em decidir pela mulher que pode ter razões mais do que justificáveis para o fazer. Claro que se coloca a questão da vida e da morte, mas será que existe vida para uma mãe que não tem as condições físicas ou psicológicas mínimas para trazer esse ser ao mundo. Muitos podem até dizer que seria preferível ter esse filho e entregá-lo a uma qualquer instituição que lhe pudesse dar um lar. Mas será que a dor de perder um filho, que se carregou e acarinhou durante nove meses é menor do que a de fazer um aborto?
É preciso pensar que muitas mulheres não fazem um aborto porque querem, mas sim porque necessitam.
Obviamente que não podemos legalizar o aborto e fazer dele uma prática comum nos nossos hospitais. Contudo é impreterível dar às mulheres a hipótese de poderem escolher se querem ter ou não uma criança, sem precisarem de ir a Espanha ou a Inglaterra (hipóteses essas só para quem pode realmente dispender algumas centenas de euros), ou recorrer às “habilidosas” pessoas que em Portugal escondem a cara, que fazem interrupções voluntárias de gravidez em locais e com instrumentos impróprios, chegando a colocar em risco a vida da própria mulher que se submete a essa prática por não ter outra alternativa.
Penso que a legalização do aborto em Portugal poderia salvar vidas, as vidas dessas mulheres que abortam sem condições e que acabam por morrer com o seu feto.
O que precisa de uma mudança em Portugal são as mentalidades. É necessário pensar o aborto como um recurso e não como uma prática anti-concepcional.
Para que as mulheres tenham o direito de interromper uma vida concebida por elas e que fatalmente não poderão ver crescer, é preciso que o aborto deixe de ser um crime.
É indispensável legalizar o aborto, pois como escreveu Clara Ferreira Alves: “ Eu não devo mandar no útero das mulheres que querem ter dez filhos. E elas não devem mandar no meu.”
Penso que esta citação sintetiza onde quero chegar. São as mulheres que sofrem com o aborto, são elas que devem saber se querem ou não fazê-lo. Cada uma deve tomar essa decisão por si. Para isso é preciso dar-lhes liberdade, liberdade essa que chega com a legalização.


Joana Guedes Pinto
(joanaguedespinto@tugamail.com)

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Diferentes abordagens do feminino 

Ao passo que em qualquer revista tipicamente feminina, ou em algumas supostamente generalistas que se inclinam para o feminino, é feita uma abordagem superficial dos interesses das mulheres, nos jornais de referência são abordadas questões femininas de reconhecido interesse, tanto moral como social.

Recordo um artigo muito bem conseguido e de extrema relevância para uma sociedade ainda muito obscura e muito alheia a certas questões que ocorrem sem mesmo se imaginar que ainda possam existir. Este artigo data de 16 de Novembro de 2003, “Cortar a dor. Deixar as facas” foi redigido por Sofia Branco. Aí é retratado o costume de “excisar meninas”. Neste texto fala-se principalmente da realidade vivida na Guiné-Bissau. A Mutilação Genital Feminina (MGF) é considerada tradição em certos países africanos, extrair o clítoris é um cumprimento dessa mesma tradição. Uma das revelações chocantes deste artigo dá conta da execução desta prática em Portugal, Sofia Branco refere que “após muita insistência, lá vão dizendo que conhecem pelo menos uma fanateca que costuma ir a Portugal excisar meninas”.
É de estranhar o facto deste tipo de artigo não aparecer frequentemente nas revistas vocacionadas para as mulheres portuguesas. É uma realidade aterradora, mas que deve ser discutida e divulgada para que se pugne por uma emancipação em todas as frentes, para que todas as mulheres tenham os mesmos direitos, independentemente do espaço em que se inserem. Contudo esta é uma realidade ainda muito longínqua, senão mesmo impossível. Os países são diferentes, as culturas são diferentes, porém a mulher é a mesma e tem as mesmas necessidades e os mesmos direitos que qualquer outra.
O primeiro passo deveria ser dado pelos meios de comunicação. Uma vez que é importante falar das mini-saias, também deveria ser relevante falar do “holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris”, este é o título de um outro artigo publicado por Sofia Branco no PUBLICO.PT.

Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt



terça-feira, janeiro 20, 2004

Mulher “perfeita”  

O Brasil é sem dúvida um país que promove a beleza feminina, nomeadamente a da mulher brasileira que é conhecida mundialmente pelas suas formas curvilíneas, pelo seu bronzeado natural e pela sua semi-nudez. Pelo menos foi esta a imagem que o Brasil quis perpetuar além fronteiras durante muitos anos, que o notabilizou e que o fez ser o destino de férias desejado pelos homens. No entanto esta realidade está prestes a mudar e o ícone feminino brasileiro, tal como o conhecemos, parece estar a “vestir-se”.


Na primeira página da edição nacional do Jornal de Notícias de ontem, dia 19 de Janeiro de 2004, podia ler-se “ Brasil muda imagem turística” em letras verdes, acompanhado de uma fotografia bastante sugestiva de uma mulher tipicamente brasileira.
Walfrido Mares Guia, ministro do turismo, avançou na edição de ontem do diário “Jornal do Brasil”, que o Brasil perdeu muitos turistas nos últimos dois anos devido a vários factores como a crise económica, a crise argentina e os atentados de 11 de Setembro que acabaram por contribuir para esse decréscimo. O seu propósito neste momento é mudar essa realidade e aumentar dos 4,3 milhões de turistas (número atingido no ano passado), para os nove milhões de visitantes em 2007. Para isso pensam em atrair turistas de todo o mundo, demonstrando que o Brasil é um país “moderno, jovem, alegre e hospitaleiro” e combater o turismo sexual. O ministro do turismo insinuou, assim, que quem deverá visitar o seu país serão turistas atentos e interessados numa vastíssima beleza natural de um país tropical e sua cultura e não aqueles que vêem esse país apenas como um sinónimo de prazer sexual.
Para extinguir esse turismo sexual, o Governo brasileiro quer acabar com a imagem da mulher semi-nua que aparece frequentemente nos seus cartazes turísticos e promover as “riquezas naturais” do país.
A mulher brasileira foi assim tratada e retratada pelos Media, principalmente pelo ramo publicitário, durante anos como uma mulher quase perfeita, que servia para atrair turistas, principalmente do sexo masculino às terras da Vera Cruz.
Este é um exemplo ilustrativo de como as mulheres são usadas em publicidade de forma a produzir um efeito atractivo nos homens e até nas próprias mulheres. Temos por exemplo perfumes, marcas de roupa, produtos de beleza de vários géneros, produtos alimentares e uma infinidade de outros produtos que nos chamam à atenção, tornando-se até objectos de desejo, pelo simples facto do uso da imagem feminina na sua publicitação.
A mulher “perfeita”, a sua imagem, aquilo que ela transmite e significa é assim sinónimo de vendas, mas também uma forma de poder social na sociedade contemporânea, poder esse presente não só na publicidade, mas também um pouco por toda a parte.


Joana Guedes Pinto

(joanaguedespinto@tugamail.com)

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Beleza no feminino 

Tolstoi, o grande dramaturgo russo, descrevia a mulher como uma substância tal que por mais que fosse estudada sempre se encontraria nela alguma coisa totalmente nova. Desde sempre que a ideia de beleza é associada às mulheres. Estas são rotuladas de consumirem desmesuradamente os produtos cosméticos e de levarem uma eternidade na sua preparação antes de qualquer saída.

Este é o tema destacado na Notícias Magazine desta semana. É pois notória a relevância que se continua a dar aos aspectos femininos, no que concerne a aspectos de beleza e cosmética. Só nesta revista, que terei em conta como objecto de análise, são de destacar as várias abordagens feitas a esta temática. O texto de Mauro Freitas baseia-se num estudo feito em diversos países onde foram auscultadas várias mulheres. Este inquérito tinha o intuito de descobrir qual a real percepção feminina sobre o assunto. Nesta abordagem típica, fazem-se comparações, apontam-se várias percepções e referem-se algumas “mulheres fenómeno”, isto é, aquelas que são um símbolo, uma referência tanto para os homens como para as mulheres.
Apesar de ser um bom artigo, foca pontos já demasiado patenteados em qualquer revista feminina (Cosmopolitan, Elle, etc.), refere-se a mulher como narcisista desenfreada, esquecendo-se de a comparar com o homem contemporâneo, uma vez que este se identifica também com este comportamento. Prova disto é o facto de que o mercado da beleza masculina tem cada vez mais adeptos. Segundo dados recentes já existe uma maquilhagem para homens, sim, é mesmo para eles. Em Itália, conhecido como um dos países percursores da beleza masculina, criou-se um tratamento baseado em sementes de uva e de vinho, sendo os homens os maiores clientes deste tratamento de beleza.
Assim, é de admirar que este tipo de artigo esteja ainda demasiado centrado no já desusado cliché de que é típico apenas das mulheres esta preocupação com a beleza. É ainda mais de admirar que uma revista generalista, como a Notícias Magazine, tenha vindo, ultimamente, a versar sobre estes aspectos.

Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt



A mulher nas revistas masculinas 

O tempo que uma mulher dispende a ler uma revista feminina é, invariavelmente, alvo de fortes críticas provenientes do sexo oposto. Mais concretamente, ler a Cosmopolitan é, aos olhos de um homem, um desperdício de tempo, já que os temas abordados são, no mínimo, uma futilidade.

Em cerca de 40 artigos propostos pela referida revista na sua edição de Fevereiro de 2004, treze referem-se aos Homens. “Sinais que mostram que ele não se quer comprometer” ou “Entre no universo masculino e leia os pensamentos dele” são disso dois exemplos.
A pergunta que surge instantaneamente é “será que as revistas masculinas dedicam o mesmo espaço às mulheres que as femininas dedicam aos homens?”. Não.
De facto, as páginas ocupadas pelas mulheres na Gentlemen’s Quarterly (GQ), na sua edição de Janeiro são, na sua maioria, fotografias. Dez páginas, ao todo, sendo uma um anúncio publicitário. Invariavelmente, a mulher aparece numa pose sensual.
No que respeita a artigos escritos, podemos ler uma entrevista a uma apresentadora de televisão de ascendência espanhola que “não gosta de touradas”. Ficamos a saber, por exemplo, que um homem precisa de 20 minutos para “engatar uma gata”, e conseguimos ainda descobrir que o homem tem “20 razões fortes, da tanga e agrestes para mudar de namorada em 2004”.
As restantes referências ao universo feminino são, no geral, machistas. “O mais espectacular dos cenários é a bela Leonor”; “A autora (de “Sexo com mais prazer”), a escritora mais famosa na área da sexologia e dos relacionamentos, mantém-se actualizada e disso dá conta ao leitor.”. A mulher é também apelidada de “menina”.
A Cosmopolitan oferece às suas leitoras um vasto leque de conselhos para seduzir, manter ou conquistar um homem. A GQ dirige-se ao seu público abordando o tema “Mulher” de uma forma mordaz e irónica. Dá primazia à imagem feminina como ponto de atracção e faz comentários com pormenores sexistas.
Ainda que a linha editorial não seja comparável, é curioso constatar que a mulher é tratada nas revistas masculinas com uma certa deselegância, quando uma das maiores preocupações dessa mesma mulher é agradar ao Homem.

Ana Filipa Poceiro
filipa_cs@portugalmail.pt

Conselhos diferentes para mulheres “iguais” 

Certas revistas femininas, como a Cosmopolitan ou a Maria, dividem-se no que respeita ao público-alvo: umas centram-se na culinária, puericultura, telenovelas e problemas conjugais. Outras, sugerem truques de sedução, conselhos de beleza…
Revistas que se destinam ao mesmo sexo, mas com interesses diferentes.


Tomando como exemplo duas revistas de diferente cariz (Cosmopolitan e Maria), é possível observar que o tipo de publicidade que figura nestes dois casos define o público a que se destina, assim como a linguagem utilizada e os temas abordados.
A dicotomia acusa as diferenças sociais e os interesses patentes em cada um dos casos.
Na Cosmopolitan, a publicidade é essencialmente focada em tratamentos de beleza de marcas prestigiadas inacessíveis à classe média-baixa, como Estée Lauder, Kérastase, Clinique ou Vichy. Na área dos acessórios de beleza, especial destaque para as marcas Versace ou Vogue, marcas apenas acessíveis a carteiras de uma classe alta ou de uma classe média-baixa, a crédito.
Os temas abordados são, na sua maioria, relacionados com os homens e com os truques de beleza e postura para os seduzir.
Já no caso da Maria, aparecem frequentes alusões a dietas milagrosas, consultas de tarot ou cartomancia por correspondência, acessórios e tintas para o cabelo, detergentes para a roupa ou publicidade a outras revistas do mesmo género. A maior parte dos produtos publicitados são bens de consumo ou pequenos “caprichos” adquiridos numa ida ao supermercado.
Aqui, tratam-se temas do foro doméstico: dicas de culinária, arranjos florais ou conselhos matrimoniais.
As únicas semelhanças encontradas entre estes dois mundos, são a publicidade a telemóveis e a referência a produtos de beleza e lingerie, embora para carteiras com capacidades financeiras diferentes.
Mesmo no que respeita ao preço das revistas, a diferença é considerável. Enquanto a Maria não chega a custar um euro, a Cosmopolitan chega quase aos três.
Esta discrepância de preços será um indicador de qualidade? Pontos de vista….


Sofia Figueiras
sofia_figueiras@portugalmail.pt

Sacerdote incita violência sexista 

Em pleno século XXI, onde grande parte dos debates tem como base a emancipação da mulher e a igualdade de direitos, é com grande choque e perplexidade que o mundo se depara com a notícia de que um sacerdote muçulmano foi condenado à prisão por incitar a violência contra as mulheres.

Foi no passado dia 15 de Janeiro que Mohamed Kamal Mustafá, imã de Fuengirola desde 1992, foi condenado pela Justiça Espanhola a uma pena de 15 meses de prisão e uma multa de 2160 euros por incitar a violência contra as mulheres. De acordo com o veredicto lido, este sacerdote muçulmano foi reconhecido “culpado do delito de provocação à violência sexista”.
Mohamed Kamal Mustafá publicou em 1997 um livro intitulado “A mulher e o Islão”, onde descrevia como bater nas mulheres: "as pancadas devem ser dadas em sítios precisos do corpo, como os pés e as mãos, com uma vara fina e flexível para que não fiquem cicatrizes nem hematomas", afirmando que este é um dos limites ao recurso do castigo corporal, considerado apenas "um simples sofrimento simbólico que não seja excessivo”. Acrescenta ainda que "as pancadas não devem ser fortes porque o objectivo é o de causar um sofrimento psicológico e não humilhar ou maltratar fisicamente”.
O sacerdote tentou defender-se, afirmando que o objectivo do livro era o de fazer um resumo histórico dos textos sagrados do Islão, justificação que não o poupou da pena imposta pelo juiz do caso, que considerou que Mohamed Kamal Mustafá misturou citações e tradições, fazendo transparecer um grande carácter machista. Contrariando as afirmações do sacerdote, duas instituições que representam os muçulmanos em Espanha – a Federação das Entidades Muçulmanas e a Comissão Islâmica – garantiram que nem o Corão nem qualquer outro texto sagrado do Islão incentivam qualquer tipo de violência sexista.
Esta condenação trouxe um momento de alegria às associações de defesa da mulher, que já tinham, aliás, apresentado queixa em 2000 contra o imã. No entanto, o advogado de defesa do sacerdote, José Luís Bravo, pensa que a pena aplicada foi injusta e acrescenta que o juiz foi influenciado pela “pressão mediática”. Afirma ainda que vai recorrer da sentença, justificando que este não foi um processo contra o imã, mas contra o Islão.

Clara Palma
clarapalma@hotmail.com

domingo, janeiro 11, 2004

Uma visão no feminino 

A mulher foi sempre o “sexo fraco”! É assim que nos chamam! Um sexo que viveu durante séculos à sombra do “sexo forte”, sob o jugo do homem. Mas será que é assim tão fraco? Hoje, com a recente emancipação da mulher, as coisas já não se passam da mesma forma. O “sexo fraco” está a fortalecer-se em quase todas as áreas. No entanto a mulher ainda sofre por vezes o peso do "sexo forte”. Pode notar-se esse facto em muitas das realidades que foram já referidas nesta mesma página, mas existe uma outra que só conhecemos quando ela sai para a rua pela voz dos meios de comunicação social: a violência doméstica.


As mulheres são muitas vezes notícia em Portugal, embora por motivos que maioritariamente lhes conferem uma imagem negativa. É raro ser uma mulher a ganhar um Prémio Nobel ou a ser reconhecida por ter construído por exemplo alguma coisa importante, mas é bastante comum ler-se num jornal, numa revista, numa publicação on-line, assistir-se na televisão ou ouvir-se na rádio notícias sobre prostituição feminina, mães solteiras, violações ou violência doméstica, entre muitas outras.
Segundo uma notícia publicada na SIC on-line, no dia 19 de Novembro de 2003, a violência doméstica mata em Portugal cerca de 60 mulheres por ano, fora os vários casos que deixam marcas psicológicas e físicas graves, deixando as vítimas a desejarem a morte.
Este problema patente na nossa sociedade afecta todas as classes sociais. Quem não se recorda do mediático “caso Tallon”, que vendeu inúmeras capas de revistas e jornais e teve direito de antena por várias vezes em diversos espaços televisivos e radiofónicos?
Este caso foi bastante mediatizado pelo facto dos seus protagonistas serem figuras públicas. Contudo casos como este acontecem diariamente e são de facto notícia.
O caso da violência doméstica é apenas um exemplo de como as mulheres são noticiadas na nossa comunidade.
Sem me querer contradizer, devo salientar que a mulher não é abordada pelos Media de uma forma exclusivamente negativa. No entanto, é necessário frisar que a maioria das notícias que dão voz ao sexo feminino são depreciativas para esse mesmo sexo.
Não sei se será necessário mudar a forma como se escreve sobre as mulheres, mas penso que uma mudança de atitudes dentro da nossa sociedade, nomeadamente na forma como estas são tratadas, poderá ajudar- nos substancialmente a ter outra visão deste sexo e isso levará progressivamente a outras formas de escrita sobre o “sexo fraco”, que afinal tem muita força.



Joana Guedes Pinto
Joanapinto6@hotmail.com

sábado, janeiro 10, 2004

Serviço Público essencialmente masculino! 

Comparando os dois canais privados ao canal público português, podemos verificar que, no que diz respeito aos pivôs dos telejornais, o universo masculino vence no Serviço Público.


No mundo televisivo, mais especificamente no da apresentação de telejornais, verificou-se uma mudança no que diz respeito ao sexo dos pivôs.
Enquanto que na RTP sempre se verificou que a maioria dos pivôs eram do sexo masculino, na SIC pudemos presenciar uma inovação desde os primeiros dias da sua existência, ao ser apresentado como elenco um considerável número de mulheres que são hoje pivôs bastante conhecidas. A TVI seguiu-lhe o exemplo, ao apostar no equilíbrio entre o número de homens e mulheres no que respeita à apresentação dos telejornais.
Foi com agrado que se verificou esta emancipação feminina, uma vez que todos os pivôs, independentemente de serem homens ou mulheres, conseguem reunir o conjunto de características necessárias para nos apresentarem um bom trabalho todos os dias.
No entanto, a mudança ainda não se verifica na RTP, uma vez que grande parte dos pivôs são homens. Talvez a mudança também chegue brevemente à Estação Pública!

Clara Palma
Clarapalma@hotmail.com


Mulheres enquanto mulheres 

É realmente verdade que a opinião feminina é ainda muito esquecida em várias publicações generalistas. É mais fácil ver-se artigos opinativos assinados por críticos masculinos do que pelas suas congéneres femininas, sendo estas ainda muito esquecidas quando pretendem dar a sua apreciação sobre determinados aspectos. Por outro lado, é também verdadeiro que a mulher é muitas vezes notícia nos diversos meios de comunicação.

Cada vez mais as mulheres têm o direito e até o dever de se expressarem, de se pronunciarem sobre todos os assuntos, até mesmo sobre aqueles que, até há bem pouco tempo, eram só de contorno masculino.
Porém, como já foi referenciado por Sofia Figueiras, neste mesmo espaço, os artigos de opinião ou de crítica são ainda muito circunscritos aos homens, não havendo espaço para todas as mulheres, enquanto colunistas que pretendam expor o seu parecer.
Reconhecendo que isto se verifica em vários jornais e revistas de reconhecida qualidade, também é impreterível reconhecer-se que as mulheres, enquanto mulheres são frequentemente destacadas em vários tipos de publicação e pelos mais variados motivos. A título de exemplo, podem-se destacar as recentes notícias que dão conta da emancipação da mulher em várias actividades que até agora eram demarcadamente masculinas. De salientar a relevância dada a uma mulher que conduz um camião de combustíveis, ou a mulheres que estão a frequentar o curso de pedreiras.
É também de notar que, muitas vezes, a mulher é notícia por motivos exclusivamente femininos. De destacar a maternidade, a questão do aborto, a gravidez precoce ou mesmo problemas de saúde.
Apesar de a mulher não ter muita “voz” em artigos de opinião, é muitas vezes o assunto destes mesmos artigos assinados por colunistas masculinos. Quem não conhece as crónicas do economista Manuel Ribeiro, que frequentemente, na Notícias Magazine, dá o seu parecer sobre o sexo oposto, expondo a realidade em que se encontra o país utilizando, quase sempre, como veio condutor a sátira à mulher.


Rita Ramoa
ritaramoa@aeiou.pt





sexta-feira, janeiro 09, 2004

SIC Mulher: um canal para que mulher? 

Depois da SIC Gold, SIC Notícias e SIC Radical, a estação de Pinto Balsemão lançou um outro canal temático, agora orientado para o público feminino. A SIC Mulher chegava à TV Cabo no dia 18 de Março de 2003.

A SIC Mulher foi o primeiro canal de televisão português a apostar numa programação vocacionada essencialmente para um público feminino, criteriosamente escolhido, tanto que a directora do canal, a jornalista Sofia Carvalho, diz que a SIC Mulher pretende ser "um canal dedicado à mulher portuguesa determinada, conhecedora, sensível e que gosta de se sentir atraente"… Resumidamente, cosmopolita.
A programação, na sua grande maioria, retrata fielmente esse espírito: séries como “Murphy Brown”, “A Juíza”, “Começar de Novo” e “Sexo e a Cidade” têm como protagonistas mulheres dinâmicas, independentes, cheias de vida e, principalmente, bem sucedidas.
Os programas de moda sucedem-se. Os talk-shows produzidos pelo canal – “Encontro Marcado”, “Elas em Marte” e “Vícios e Virtudes” - estão a cargo de caras bem conhecidas do panorama audiovisual português, como Margarida Pinto Correia, Simone de Oliveira, Luísa Castel-Branco, Rita Ferro Rodrigues e Ana Marques, que, diariamente, debatem assuntos pertinentes para a mulher moderna, que vê neste canal uma espécie de fuga ao mimetismo dos canais generalistas.
Assim, a SIC Mulher encara o seu público como sendo maioritariamente composto por mulheres independentes, dinâmicas, inteligentes divertidas e cultas, mas que, ao mesmo tempo, gostam de ter a televisão como companhia, ao fim de um dia fatigante.
O maior problema deste canal é a permanente repetição da grelha. Apesar de ser notória a aposta no prime-time, não parece justificar-se a pobre programação diurna, já que haverá, certamente, utilizadoras da TV Cabo cansadas do “SIC 10horas” ou “Portugal no Coração”.


Ana Filipa Poceiro
filipa_cs@portugalmail.pt


Opinião feminina? 

Em matéria de artigos de opinião a imprensa assume, em certos casos, quase um exclusivo do sexo masculino.
Poucas são as mulheres que figuram, com regularidade, nas páginas dos jornais com críticas, crónicas e opiniões.


Já lá vão os tempos em que as mulheres não tinham voz activa na sociedade. Actualmente, o sexo feminino parece ganhar terreno em todas as frentes, nomeadamente, no jornalismo.
No entanto, nos artigos de opinião de alguns jornais, ainda que entregues aos dois sexos, verifica-se uma certa desigualdade.
É o caso do “Público”, um prestigiado jornal diário e do “Expresso”, semanário de referência que dão, maioritariamente, voz ao sexo masculino.
Consultando a secção de colunistas e cartoonistas da ficha técnica destes dois jornais, é visível uma certa disparidade: no total de vinte e nove pessoas que compõem esta secção do “Público” , apenas quatro são mulheres: Ana Paula Tavares, Graça Franco, Helena Matos e Maria Filomena Mónica.
No caso do “Expresso”, num total de dezassete pessoas, apenas Clara Ferreira Alves e Inês Pedrosa têm lugar.
Neste caso, estão em foco duas publicações com diferente periodicidade a mostrar que, embora pareça existir uma forte lacuna no que respeita a artigos de opinião e mesmo a algumas redacções dos jornais de maior tiragem esta é, no entanto, compensada pelo grande número de mulheres que frequentemente escrevem em revistas de cariz feminino.
As feministas diriam que isso se deve ao pouco impacto da opinião feminina e à falta de oportunidade de expressão nos jornais.
Os homens justificariam o facto com a ausência de espírito crítico por parte das mulheres.
Outros aguardam a emancipação feminina na área dos artigos de opinião.



Sofia Figueiras
sofia_figueiras@hotmail.com


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